sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Amor maduro: Águia, Boi e Leão

'Por que sou tão crítico? Por que sempre acho em palavras de poetas de alma sensível as palavras que quero te dizer? Se não ouso dizer de mim, é porque não conseguiria dizer com a densidade que quero comunicar. Não sou poeta, não invento palavras mas encontro nas palavras desses seres de alma sensível o que meu leão quer dizer para o teu'.

Quando paras tudo o que estais fazendo e vais buscar as palavras dos grandes poetas para me encantar, é exercício de ternura. Neruda e você têm muito em comum.
Meus pés andaram sobre a terra, o vento e a água só pra te encontrar.
E te encontrar foi a melhor coisa dos últimos tempos.
A águia deu sobrevôos e até encontrou picos altos. Criatura de mente aberta, viu em semelhantes, almas poderosas de saber e foi cativada algumas vezes. Mas era pouco. Faltava a harmonia dos opostos e uma certa liberdade do jogo social dos amantes.
O boi andava ruminando. Muitas vezes adentrou sozinho em pastos, libertou a libido e não ousou levar companhias que não somassem. Dividir o pasto para que dois comessem apenas para matar a fome, diminuiria o prazer espiritual do ritual de alimentação da alma.
E o leão, este andava cabisbaixo. Não sentiu cheiro nem enxergou ao longe, por muito tempo, uma companhia para percorrer a savana. Então se isolou na montanha. Meu leão é fiel a um sentimento de pertencimento. Não gosta de andar só, mas não anda mal acompanhado. Precisa se sentir amado e querido. E se isso acontece, então corre e se aventura, ao enxergar o parceiro certo na caminhada.
Seu leão já cativou o meu. Meu boi de pronto acolheu o seu no mesmo pasto e agora ruminam juntos depois do prazer da carne. Minha águia só quer voar mais alto pra alcançar a sua, que está acima mas faz sinal que vai esperá-la.